sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Fundi


Seriam castelos no céu
Como definir esta estúpida forma de vida
Cinzento, é tudo cinzento, e negro…

O meu ser não escolheu viver aqui
Nesta dimensão pútrida
Nestes negros escombros de alma
Nestes negros recônditos escuros que me cortejam
Nestas amarras politicamente correctas
em que a minha vida se esfuma em mil cinzas.

Já olhei mil vezes para os cacos da minha alma
Já olhei mil vezes para os punhais que mutilam o meu coração
Já olhei mil vezes para tudo o que fui
Para a luz que perdi
Para o momento em que
como se fosse uma lâmpada
ela fundiu…
Tal como se fundiu toda a vida em mim…

Rendo-me a ti solidão
rendo-me a ti depois de noites sem fim
rendo-me a ti depois de dias desertos
rendo-me a ti…
Fraca de lutar contra o desespero
Rendo-me por fim à única presença fiel e constante
A única presença que não prescinde do fado da minha vida…

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