segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Gelo




Demoliste-me a verdade
De que perenes vontades é feito o templo da tua alma?
De que breves anseios que passam
Passam mais leves e mais rápidos
que os zéfiros da compaixão da minha alma…

Porque regras inumanas se regem as asas dos anjos?
Para quê assaltares-me com infames mentiras…
Para quê tomar de assalto um coração…
…Adormecido…
Para quê sobressalta-lo com blasfémias…
…com mentiras…
Para isto?

Para virares as costas
e levar contigo o som do roçar das tuas asas?
E deixar em escombros minha passagem?
Para mutilar incessantemente a minha vida
deixar em cacos o que me resta?
Estilhaços, não olhes para trás,
Os pedaços de gelos já se desfazem na rugosa lama que recobre o chão…

Cristalizações


Cristalizamos os que sentimos
Num pétreo pedestal de cristal
Fizemos de conta que as nossas guerras nunca existiram…
Existiram?

Fizemos de conta que não vimos
Fizemos de conta que não existimos
Que o fogo era apenas o vislumbre de cinzas apagadas…
Pelo tempo.

Eras a minha alma e desperdiçaste-a
Fizes-te do meu corpo um templo intocável,
E do meu coração?
Que é feito de um coração
…cuja alma já morreu…
…nos pedaços de escombros…
…espalhados pelo chão…

Insónia


Hoje quero deixar o mundo lá fora
Quero pensar que só existimos os dois
Nesta sórdida forma de te sentir
Inunda-me e derrama-se tua voz
Na minha memória
Na minha alma a tua ausência dói
como mil punhais… despedaças-me!
Destrói-se-me a alma nesta insónia
Ironia das ironias… cada vez está pior.
És deprimente,
Esse teu rosto seráfico não me sai da cabeça
És um problema que não consigo resolver
Estou farta de desbaratar
contra essa tua imagem imposta ao meu peito…
porque não posso simplesmente seguir em frente e ser feliz?

Ceifas


Olho a ceifeira e o seu feno cortado
Para trás, o restolho chora lágrimas de sangue
Lembranças do que fora outrora…
Evoca-me as lembranças de ti
De ti, de mim…
Das tuas idas e voltas revolteantes
De como ceifas a minha alma cada vez que te vais
De como me destróis o ego quando voltas
De como a minha alma tem que reconstruir suas muralhas
…para voltar a viver…
…para voltares a destrui-las…
…para que a minha alma não aprenda nunca a viver sem ti…
…Nem contigo.

Perco-me


Perco-me na candura dos teus olhos
Ou será dos teus lábio e da sua doçura remanescente
Ou será da tua alma
Tão bela a aura da tua alma…
Perco-me docemente no seu brilho
Nas suas cores…
Tão bela….

Na tua pele beijada pelo sol
Quanta sobriedade guardam esses teus anos
A estatura, maior que tu próprio
Sempre superas-te a tua altura
O teu tamanho
Que aventura…