quinta-feira, 22 de maio de 2008

Já não quero Saber


Já não quero saber, é hoje
Hoje vai sair tudo
Chateia-te, faz o que quiseres…
Renega-me se for preciso
A minha alma está entupida de revolta
Toda eu sou uma casa de cartas à beira da ruína
Toda eu espero ser capaz de me refazer destes recônditos
E toda eu espero que isto não seja o fim de algo que nunca começou
Se tiver que ser assim… Que o seja.
Já não suporto mais

Não sou capaz de me acalmar ou de acalmar a revolta que sinto
Não sou capaz de abafar com panos quentes esta lembrança
Este pesar, este sentir, estas ondas de ressentimento que fluem livremente agora
Não sei se vou gritar como uma louca ou desabar em lágrimas
Simplesmente vou dançar ao som de um ritmo que não controlo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Vazio


Fui Luz, Sol, Calor, Vida
Fui incapaz de ver
Incapaz de conter
Incapaz de racionalizar algo
Que pairava na frente dos meus olhos

Por momentos abri anos de cativeiro
Por momento fui algo que não sou
Fui eu, eu o livro aberto
Eu despida das palavras que escrevia
Quebrei gelo, barreiras
Cadeados de uma personalidade fechada
Fui todo o meu negro ser, fui as minhas histórias escabrosas
Fui, sem pensar, sem questionar o meu ser politicamente correcto
Sem uma só vez questionar este caminho
Sem uma vez só questionar… como pôde…?
Como pôde o meu ser ser tão irracional?

Depois rui, desmoronei por pudor do que dizia
Por fim o turbilhão de palavras cessou, e eu olhei-o
Pareceu-me tão oco e vazio como o que dizia
Já era tarde, já estavam escritas
Não sei se me arrependo ou não
Não me sinto quente nem fria
Nem certa ou indecisa
Sinto-me a flutuar numa realidade que não é minha
Que raio sou eu agora?

Podia reduzir-me a um ser vazio
Um anjo sem asas, algo oco de sentir
Foi o que ficou entre os escombros do meu baralho de cartas
Eles e um ser amorfo, esmagado pelo sentimento de algo vazio

Fénix


Parecia um castelo de cartas
Quando rui
Aquilo que tu eras ficou nos maus escombros
Nos escabrosos recônditos da minha memória
A minha estrela precisava de ti para brilhar
E tu fizeste-a fundir
Como de uma lâmpada incandescente se tratasse
Mas esqueceste-te de mim
Esqueceste-te que eu sou maior
Maior de que tudo o que possas representar
Sou melhor de que as tuas idas e voltas
Sou uma Fénix
Eu renasço das minhas próprias cinzas, sozinha…

Não preciso de enleios para disfarçar o que sinto
Para esquecer o que faço
Não preciso de enleios para esquecer que te confiei
Ou o que confessei algum dia

Para que foi tudo isto?
Para que brincas com o que sou?
Para que brincas com a minha alma?
Porque te fazes passar por algo que afinal não és
Para quê tudo isto se volto a ser só eu
Só eu e a minha forma de ser
Eternamente uma estrela solitária
Para quê?