sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Uma nova estrela, uma nova lua, novos mundos
A asas negras ficaram... Apenas as Asas.
E uma nova viragem na história prossegue...
http://www.reinodasasasnegras.blogspot.com/
Matei o anjo negro

Acabei com o ultimo suspiro das negras asas
com que me atingia
e com que tingia de sombra e tristeza meu coração.
Deixei que a minha alma encontra-se finalmente a libertação
Que encontrasse finalmente o sossego apenas aos audazes permitido
Finalmente vejo novas cores
Que sobejam no arco-íris da minha existência
Descobri que és só tu
Que foste só uma lembrança
Uma assombrosa memória no baú dos sonhos
No baú dos pesadelos ignorados…
Não voltarei a ser mais um rosto da turba que te procura
Não voltarei agitar-me ou contorcer-me de revolta
Não voltarei a ser escrava dos pensamentos ou da minha alma…
Pudeste ser a luz que não foste
E da luz que te resta não fazes uso para iluminar
Agora que escolhes-te o teu caminho tem coragem de o seguir
Enquanto eu tive a mesma coragem de matar em mim tua inexistência.
A história mudou…
Uma definição de Dor

Uma definição de dor
Tão simplesmente verbalizar
A candura da agitação que me fazes sentir
Ver-te em cada rosto, em cada olhar, no meu caminho…
Ver-te no meu caminho enquanto tento esquecer que existes
Ver simplesmente os teus olhos através deste muro de vidro
Ver que juntos caminhamos sozinhos
Ver-te…
Olhar-te e não poder tocar teu rosto
Sentir que podes esfumar-te da minha presença
Como um produto efémero da minha imaginação
Cortejar a ironia do destino por te querer
E sofrer por seres quem quero sem ter
Dor, tão simples definir a dor de quando te vais
De quando tocas minha mão sem pensar
De quando me olhas sem sentir o meu olhar
De quando as tuas asas que te levam
Te trazem de volta sem ser para mim.
Dor, apenas a incessante dor de ser mais uma entre os teus pares
Apenas mais um vulto esquecido no meio da turba
Desejos de Incongruência

A avassaladora réstia do saber
Quão inválido é o castigo
De te crer sem te querer
Assolam-me teus braços a alma
Assolas-me todo o meu ser
Roubas-te indefinidamente a calma
De te ser sem te querer
Como quero sem querer teu ser
Como me assola tua lembrança
Porque loucuras de querer
Reacendes-te em mim esta esperança
Fui prisioneira sem o querer ser
Amarras-me a alma, o corpo, o querer
Como ser tua sem o ser
Como querer-te sem saber o teu querer
Borboletas, fervores, novo ser
E que quero eu sem querer
Como quero eu sentir e parecer
Que já não te quero continuando a querer
terça-feira, 7 de outubro de 2008
A fénix... ainda não voou

Como perder-te se não te tenho
Como perder-me se não saio do sitio
É estranha esta forma de ser
Ser, estar, pensar
Estranha forma de ser… estranha.
Quão revoltada posso ser
Sou tão parva
Não consigo controlar este reles temperamento ignóbil
Nem a ignobilidade deste meu coração perene.
Das cinzas todas as Fénix renascem
E leva-as o vento quando morre a devoção
Minha devoção já tem seu réquiem
Teu fantasma ainda me assola
Mas a Fénix ainda não voou… Porque não?
Atlas

Das encostas desamparadas do meu postal
Esse teu ser áureo, pétreo, estátua de gelo…
Lembras-me Atlas
Carregando o céu às costas
Suportando o seu peso
O peso absurdo que paira esmagadoramente
Sobre os teus leves devaneios…
Esmagas-me a alma
O coração vazio de ser
Levas-te tudo de mim… até a saudade…
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Gelo

Demoliste-me a verdade
De que perenes vontades é feito o templo da tua alma?
De que breves anseios que passam
Passam mais leves e mais rápidos
que os zéfiros da compaixão da minha alma…
Porque regras inumanas se regem as asas dos anjos?
Para quê assaltares-me com infames mentiras…
Para quê tomar de assalto um coração…
…Adormecido…
Para quê sobressalta-lo com blasfémias…
…com mentiras…
Para isto?
Para virares as costas
e levar contigo o som do roçar das tuas asas?
E deixar em escombros minha passagem?
Para mutilar incessantemente a minha vida
deixar em cacos o que me resta?
Estilhaços, não olhes para trás,
Os pedaços de gelos já se desfazem na rugosa lama que recobre o chão…
Cristalizações

Num pétreo pedestal de cristal
Fizemos de conta que as nossas guerras nunca existiram…
Existiram?
Fizemos de conta que não existimos
Que o fogo era apenas o vislumbre de cinzas apagadas…
Pelo tempo.
Eras a minha alma e desperdiçaste-a
Fizes-te do meu corpo um templo intocável,
E do meu coração?
Que é feito de um coração
…cuja alma já morreu…
…nos pedaços de escombros…
…espalhados pelo chão…
Insónia

Quero pensar que só existimos os dois
Nesta sórdida forma de te sentir
Inunda-me e derrama-se tua voz
Na minha memória
Na minha alma a tua ausência dói
como mil punhais… despedaças-me!
Destrói-se-me a alma nesta insónia
Ironia das ironias… cada vez está pior.
És deprimente,
Esse teu rosto seráfico não me sai da cabeça
És um problema que não consigo resolver
Estou farta de desbaratar
contra essa tua imagem imposta ao meu peito…
porque não posso simplesmente seguir em frente e ser feliz?
Ceifas

Para trás, o restolho chora lágrimas de sangue
Lembranças do que fora outrora…
Evoca-me as lembranças de ti
De ti, de mim…
Das tuas idas e voltas revolteantes
De como ceifas a minha alma cada vez que te vais
De como me destróis o ego quando voltas
De como a minha alma tem que reconstruir suas muralhas
…para voltar a viver…
…para voltares a destrui-las…
…para que a minha alma não aprenda nunca a viver sem ti…
…Nem contigo.
Perco-me

Ou será dos teus lábio e da sua doçura remanescente
Ou será da tua alma
Tão bela a aura da tua alma…
Perco-me docemente no seu brilho
Nas suas cores…
Tão bela….
Na tua pele beijada pelo sol
Quanta sobriedade guardam esses teus anos
A estatura, maior que tu próprio
Sempre superas-te a tua altura
O teu tamanho
Que aventura…
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Preço

Quanto me custas tu em solidão
Quanto me perco por te querer
Quanto perco por não te esquecer?
Quanto ganharia se descuida-se
essa tua posição de deus da minha imperfeição?
Que fazes tu no meu ser?
No que eu faço?
Em tudo o que sou?
Que pesar entornas na minha alma?
domingo, 17 de agosto de 2008
Suspirar ser feliz

Já passamos além de tanto
Já passamos por tanto
Tantas vidas, tantos seres…
Tanto renascer que nem se sei renasça para vida
Será que já me passou tudo o que amei?
Tudo o que senti por ti?
De que valeu o esforço hercúleo
de te tentar esquecer…?
Tanta luta para quê?
Que vês tu aqui além do meu cadáver?
Que vês tu neste corpo vazio de sentido?
Eu que estou aqui a tua espera
Será que algum dia abandonei meu posto?
Mesmo assim não sou capaz de te ser
Desde que esta loucura começou
Desde que te vi…
Comi o pão que o diabo amassou
E continuo a suspirar por ti…
É só saber que te sei
Só saber que sinto
Só saber que te amo
Só o mais puro conhecimento de te sentir
E de saber… saber que és a alma que meu corpo procura
Só isso chega para continuar a suspirar ser feliz…
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Barco

Seguindo uma luz inquieta aquietasse a incerteza da vida
Nasçam pautas, canções, colcheias de seguida
Batuta segura os corações que vagueiam nos barcos da vida
Com três cordas, dois por três, raio de confusão
Segura-te ao barco arnês que o seguro morreu de exaustão
Outros barcos outras marés seguiram-te vivas em vão
Infectados pela alegria de ti, loucas de vivas então
E no auge da loucura a Fénix renasceu
E se a deixassem renasceria, uma e outra vez…
Mas o coração que nos vãos em vão se perdeu
Não se coaduna com finos porquês…
Vida, tons de grafite

Se soubessem quanto custa olhar-te
Se soubessem o que é sequer olhar-te
Se soubessem como é difícil…
Austeridade, que conhecem eles para além de austeridade
A efémera vida que lhes passa ao lado não é importante
Deixam que cada momento seja vão, fútil, vazio…
Inunda-me a melancolia
Se soubessem o que é ver a vida em tons de grafite
Apaguem-na, não quero ver…
Se é vazio que me rodeia então não vale a pena ser visto…
Que mal tem a solidão se não encontro felicidade na companhia
Que mal tem um coração que teme a luz do dia
Teimosamente prefiro-me à solidão
Melhor a minha presença comigo
À solidão de estar só contigo…
Natureza do mal

Uma ilusão que me rebenta por dentro
até as entranhas soturnas inomináveis
As horas olham-me com a complacência de quem pena
Os escombros embrutecem-me a alma
Tu embruteces-me o ser…
Sinto-me esvaziada de todos os sentimentos que me negaste
Recordação dos ecos infundados que não encontrei em ti
Já nem o sol brilha e trago a escuridão por companheira
Nem tudo nem nada nem ninguém
Vazio, lembrança, para onde foste?
Onde estou eu e o que resta de mim?
Que raio de ser estranho és tu em mim?…
terça-feira, 15 de julho de 2008
Nem palavras

Nem eu nem tu
Nem ninguém
Nem anjos nem arcanjos
Nem diabos ou negros anjos
Nem nenhum tipo de deus grego
Parcialmente esperava algo que não trouxeste
Humanamente ansiava por algo que nunca foste
E como um anjo silencioso voo em voos picado
Por volta de algo insuficiente para o gasto de energia
Obviamente havia mais anjos
E mais deuses, e mais gente
E mais almas à espera que eu as amasse
Mas não uma alma teimosa como a minha
Sou a eterna corrente que persegue nas sombras
Não sei procurar mais ninguém
Pelo anjo que para mim foste
Não sei lutar mais pelo cansaço que representas-te
E desfizeste-me em mil bocados
Em mil peças saudosas de ti por te querer
Em mil peças de mil cacos ansiosas por te ver
Sinto-me perder

sê a luz de olhos que não te vejam
se a mais pura memória de quem não tem lembranças…
Sê tu outra vez para mim
Para que eu não tenha que te esquecer outra vez
Sinto-me perder…
Sê de volta tu para mim
Sê tu de volta para que não tenha
que voltar a pisar os escombros do meu ressentimento
Sê tu de volta para que não tenha
que continuar a sentir-te em pesadelos
Para que não tenha que te esquecer outra vez
Sinto-me perder…
Sê tu as colcheias que preenchem meu ser
Sê tu livre comigo, como as ondas
Sê tu o meu ser, por mim e por nós
Sê tu aquilo que sempre foste alegremente
Sê tu os raios de sol e a luz da lua
Sê tu meu ser
Para que não tenha que te esquecer outra vez
Sinto-me perder…
Anjo Vazio

Esqueci a minha vida e a tua
Esqueci toda esta amálgama de sentimentos fúteis
Só para te olhar, para te ver…
Do mais profundo do meu ser só te desejava a ti
O meu eternamente perfeito deus grego
Algo cuja beleza me traía e ainda me trai
Cada olhar, cada vislumbre…
A noite fez-se para amar, para lembrar a tua presença
É como um castelo medieval que eu revisito todas as noites
No escuro para que não me vejas
És a minha prece, acendo as minhas velas…
E continuo a velar-te como um anjo vazio…
Alma Penada

Uma alma penada revisita as sombras, o negrume…
A fina filigrana da amargura
Sempre ténues, sempre escuras,
Nevoeiro, angustiantes amarguras,
Abafa, mói, entristece…
Pequeno anjo que procuras?
Quando os olhos da tua alma choram que procuras?
Quando o desconhecido te abafa?
Que procuras quando são frias as mãos que te seguram?
Onde estás quando todos os teus sonhos foram trucidados?
Onde estão os pedaços do teu coração?
Demasiado pequenos até para pensar em colá-los…
Que procuras ainda desta vida vazia?
Mas é apenas dor… Apenas uma trucidante e incessante dor…
Será que procuras misericórdia para o teu sofrer?
Quão estúpida sentes poder ser?
Quão estupidamente amargurada pode alguém ser?
Tudo muda… TuDo se DesFaZ como os CasTelOs de CarTas…
Restam-nos os escombros… quando já nada se pode esperar da vida…
Descalça

Sobre uma montanha deles, descalça…
Foi sentir a dor ao ponto mais trucidante e excrucitante
Humanamente possível de suportar…
Foi só um simples olhar-te da profundidade das minhas trevas
Foi tão duro, tão obscenamente penoso,
Tão simplesmente meu que é de um impossível explicar por palavras…
Sinto-me contida neste colete-de-forças, tão contida e tão envenenada
Por actos, palavras e sentimentos que já nem sei se sou eu…
É fácil, tão fácil ser politicamente correcta que já nem sei que é feito de mim…
Perdi os meus pulmões algures na corrida para te encontrar e agora nem sei se valeu a pena…
Não sei se vales a pena, se todas estas penas
Estas dores, esta solidão de estar comigo mesma na busca por ti
Já não sei se valeu a pena toda a melancolia por que passei
Se todas as vezes que o meu coração foi apunhalado valeram a pena
Se todas as vezes que ele se partiu
Se todos os pedaços que eles já teve, todos aqueles pedaços
Agora irremediavelmente perdidos…
Será que algum dia tiveram significado?
Será que alguma vez me mereces-te ou fizes-te por merecer-me?
Mãos vazias

Se quase morro de desilusão
De que vale sentir-te na tua proximidade,
Arrepiar-me com o crepitar da tua presença quase invisível,
No teu cheiro, sentir ainda o gosto a sal da tua pele em meus sentidos,
De que vale não ter esquecido a tua essência?
De que vale quase poder tocar o fantasma da tua existência…
De que vale ser quase tua, de que vale?
Será que ainda vale de alguma coisa a minha existência?
Continuo a viver uma vida que não é minha,
A ocupar-me com os outros enquanto vivo a farsa da minha vida…
Sinto um vazio tão grande…
É tão grande este peso, quando me sinto tão pequena…
Tão frágil… Quando a única luz fundiu como uma lâmpada vazia…
Meus olhos preferem deixar de existir a continuar a chorar…
Não há uma ponte para atravessar as águas turvas,
Quando tudo é tão vazio como a asas de um anjo negro que chora…
As mãos vazias da justiça olham-me impotentes…
Onde estava ela quando o fado nos cortou a existência?
Quando os olhos viperinos minavam nossa dança
Sedentos de cada um dos nossos movimentos em falso
Tão perto, tão tensos, tão nadas…
Cartas

Já nada me prende a esta terra enfadonha
Amo-te, será que vale de alguma coisa?
Dizem que sou dona do teu coração
As cartas… mas só as cartas…
E eu sinto-me tão idiota por deixar as cartas
semear a dúvida no meu coração…
Mas que alternativa tenho
se as cartas são a única coisa a dize-lo?
Queria voar para longe e levar-te comigo
Mas nunca farias comigo essa viagem…
De que vale se te amo e sou uma sombra?
De que vale ser importante só quando te aborreces?
De que vale ser importante se isso é a única coisa que algum dia serei?
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Já não quero Saber

Hoje vai sair tudo
Chateia-te, faz o que quiseres…
Renega-me se for preciso
A minha alma está entupida de revolta
Toda eu sou uma casa de cartas à beira da ruína
Toda eu espero ser capaz de me refazer destes recônditos
E toda eu espero que isto não seja o fim de algo que nunca começou
Se tiver que ser assim… Que o seja.
Já não suporto mais
Não sou capaz de me acalmar ou de acalmar a revolta que sinto
Não sou capaz de abafar com panos quentes esta lembrança
Este pesar, este sentir, estas ondas de ressentimento que fluem livremente agora
Não sei se vou gritar como uma louca ou desabar em lágrimas
Simplesmente vou dançar ao som de um ritmo que não controlo.
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Vazio

Fui incapaz de ver
Incapaz de conter
Incapaz de racionalizar algo
Que pairava na frente dos meus olhos
Por momentos abri anos de cativeiro
Por momento fui algo que não sou
Fui eu, eu o livro aberto
Eu despida das palavras que escrevia
Quebrei gelo, barreiras
Cadeados de uma personalidade fechada
Fui todo o meu negro ser, fui as minhas histórias escabrosas
Fui, sem pensar, sem questionar o meu ser politicamente correcto
Sem uma só vez questionar este caminho
Sem uma vez só questionar… como pôde…?
Como pôde o meu ser ser tão irracional?
Depois rui, desmoronei por pudor do que dizia
Por fim o turbilhão de palavras cessou, e eu olhei-o
Pareceu-me tão oco e vazio como o que dizia
Já era tarde, já estavam escritas
Não sei se me arrependo ou não
Não me sinto quente nem fria
Nem certa ou indecisa
Sinto-me a flutuar numa realidade que não é minha
Que raio sou eu agora?
Podia reduzir-me a um ser vazio
Um anjo sem asas, algo oco de sentir
Foi o que ficou entre os escombros do meu baralho de cartas
Eles e um ser amorfo, esmagado pelo sentimento de algo vazio
Fénix

Quando rui
Aquilo que tu eras ficou nos maus escombros
Nos escabrosos recônditos da minha memória
A minha estrela precisava de ti para brilhar
E tu fizeste-a fundir
Como de uma lâmpada incandescente se tratasse
Mas esqueceste-te de mim
Esqueceste-te que eu sou maior
Maior de que tudo o que possas representar
Sou melhor de que as tuas idas e voltas
Sou uma Fénix
Eu renasço das minhas próprias cinzas, sozinha…
Não preciso de enleios para disfarçar o que sinto
Para esquecer o que faço
Não preciso de enleios para esquecer que te confiei
Ou o que confessei algum dia
Para que foi tudo isto?
Para que brincas com o que sou?
Para que brincas com a minha alma?
Porque te fazes passar por algo que afinal não és
Para quê tudo isto se volto a ser só eu
Só eu e a minha forma de ser
Eternamente uma estrela solitária
Para quê?
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Gravidade

Pesa, abafa, sufoca
Faz-me sentir uma pequena gota de água
num imenso nevoeiro
Faz-me sentir demasiado presa, demasiado sufocada
Para sequer mexer um dedo para te parar
Tenho o grito sufocado na garganta
Lágrimas brotam como se do nascer de um ribeiro tratasse
Não consigo sequer articular palavra
Acho que perdi algures os meus pulmões…
Algo maior que eu morreu no meu peito
despedaçaste-me em mil pedaços
fizes-te de mim mil cacos de desgosto…
Pareço não ter qualquer significado para ti
Parece que és imune ao que fazes sofrer
Parece que a pedra que tu eras infiltrou o teu peito
Parece que tudo o que eu sou
e fomos não te influencia, não é em nada…
Sinto-me como algo descartável…
Algo que tocas-te mas não deixas tocar…
És algo cujo o toque jamais deixará de influenciar-me a alma…
terça-feira, 18 de março de 2008
Dobrar-te

Tentar dobrar a ferros a sua vontade
E perder-me nos câmbios do seu olhar negro
É como perder-me num mar de ébano…
É tentar ultrapassar a sua força férrea
Os seus traços de mau carácter
A sua personalidade duvidosa e profundamente forte
E tentar chegar ao âmago do mais soturno dos seres…
É querer ser tudo para quem não quer nada,
E querer poder e não poder o que se quer
É ser arrasada por querer arrasar
É ser arrastada por quem ser quer arrastar
É ser destruída pelo seu olhar avassalador
E deixar-me morrer até ao mais profundo de mim…
É ser algo que não se deseja…
Não fosses tu tão perfeito
e eu não teria provavelmente sucumbido.
Agora entrego-te todo o meu ser que tu desperdiças
Inusitadamente pareço mais frágil,
Mais quebradiça,
Tão fácil de partir que parece que jogo a minha sorte,
o meu coração e a minha alma e todo o meu ser
de cada vez que deixo a minha redoma
e te olho nos olhos…
é como tentar dobrar-te…
Meios mundos

Já nem vale a pena lamentar-me
Já nem vale a pena tentar descobrir o que aconteceu
Acho que nem vale mesmo a pena
tentar deixar escrito para a posteridade o que sinto
Raio de vida esta que me abandona
musica de quem se afunda lentamente no mar da saudade
na absoluta tranquilidade de perder o ser
na absoluta tristeza de te ter perdido…
Deixei que tudo o que fazia sentido me abandonasse
deixei que te fosses e que toda a vontade de viver fosse contigo
pareço um morto vivo descarnado…
Como se pudesse simplesmente sair do túmulo
e andar por ai a vaguear como uma alma penada
não tenho essência, tu levaste-a contigo
da minha alma restam os escombros
do meu coração os mil e um pedaços em que o transformei
de mim, acho que já não resta nada de mim.
Nada que tenha sequer valor para ser aproveitado.
Agora vagueio perdida nesta espécie de meios mundos
que vagueia entre a tua lembrança e a inexistência do meu ser.
Perfeição… Mas não nossa.

Nos filmes acaba sempre tudo idilicamente bem
Os que se odeiam apaixonam-se
Os amantes escrevem sua paixão na eternidade…
Para que existem filmes e novelas
E livros e poemas de amor?
Nunca ninguém lhes disse que a vida não é assim?
Nunca ninguém lhes contou que também existe a dor
E o sofrimento, e a angústia e o adeus?
Enojam-me só de pensar
Que azia, que náusea, que dor
Que inveja, que nada…
Porque tem que ser tudo tão perfeito
Por que fazem apenas histórias dos quentes e dos frios?
Porque não perdem tempo connosco,
com os mornos, os inseguros,
os que não sabem para onde tombar,
os indecisos, os que não sabem,
os que se perdem em expectativas
e sonhos de algo que nunca vão ter?
Talvez os mornos não tenham lugar
nas histórias de encantar…
Nos livros de ética melodramática
Que lugar teria uma história parva como a nossa…?
Esculpidos um no outro

Dançávamos ainda parados
Iluminados pela ténue e ínfima luz
com que incerteza da luz e das sombras ainda nos brindava
Os tons róseos e violeta tingiam-nos a face
tal como a alegria nos tingia a alma…
Horas de calma, de sublime assombro
eu era mais fragilmente tua
mais fragilmente
por me sentir suficientemente frágil
para saber que sucumbiria se te fosses…
Ou se tivesse que partir
E ainda assim o tempo era todo nosso.
Éramos um só corpo munidos de uma só alma
Tudo parecia perfeito, sublime, único…
Tudo parecia suficientemente perfeito para que durasse
Porque somos nós de mármore efémero se poderíamos ser granito
Eternos como o granito pode ser?
Mas a efemeridade tocou-nos
com a fugacidade de uns segundos…
Como me deixas-te partir?
Como deixo eu que a nossa lembrança me assombre?
Como deixo eu que me faças isto?
Não sou eu senhora de uma alma una, intacta e sublime?
Então porque piso eu os escombros da minha alma
Porque piso eu os estilhaços da minha existência
que baços e desfeitos forram o chão que pisas?
Porque me humilhas desta maneira
se já fui a única coisa a que davas valor?
Que fizes-te tu da perfeição da minha alma?
Forro

Posso ter um nó na alma mas sobrevivo
Sempre sobrevivi não foi?
Sempre tiver que me refazer a cada caminho que traças-te
Sempre tive que me refazer, mesmo quando te afastas-te
Sempre tive que sobreviver às tuas revolteantes mudanças de rumo…
Já não sei quantas vezes trepei o penhasco
Para voltar a cair no precipício
Já não sei quantas vezes prometi , a mim mesma,
que nunca mais provava o mesmo copo
mas continuo a ser tentada pelo copo da soturnidade…
Já nem sei dos meus olhos
Desde que pus o meu coração nas tuas mãos
Ele rola descontroladamente e é repisado pelos teus pés
Nem te dignaste a recolocá-lo na caixa de sapatos
Para eu poder voltar a fecha-lo…
Nem sei porque decide o sol continuar a brilhar
Se esta lua nova me assola e me abafa…
Ela e os novos ciclo que ela traz,
que me lembram que não te perdi apenas,
também eu e a minha alma e o meu coração
e todos os pedaços em que os partiste ao longo desta tortuosa viagem
se perderam irremediavelmente…
Desta vez os cacos vão mesmo continuar a forrar o chão.
Exageradamente

Vou daqui para o inferno
És o pior dos pecados
Exagerado, és exageradamente perfeito
Exageradamente tentador
Exageradamente ostentoso
Parece que foste convocado do meu inferno pessoal
Para me lembrar que existes, para me tentar…
E eu sucumbo ao pecado.
As tuas linhas, os teus olhos negros,
Vê onde estamos, comporta-te!
Não te gabes, já sei que aqui estás…
As ondas de electricidade que nos percorrem a espinha
Não são só imaginação minha.
Afrontas-me a alma como uma onda gigante
És mais do que o que algum dia
os meus devaneios poderiam imaginar
És obviamente inesquecível, diabo manhoso,
Que vou eu fazer quando te fores?
Caixa de Pandora

Guardados em ti todos os males do mundo me seduzem
Quentes, fogosos
Estou em chamas e ainda olho para ti fechada
Arde-me o fogo, lentamente,
Como um bafo doce e quente
No gelo de inverno que ainda não derreteu…
Porque me tentas como um diabo manhoso
Sem propagar tua chama?
Porque me fazes sentir como um verme?
Podes esquecer por que me fizes-te chorar?
Já chega, estou farta,
Porque tem que ser só o meu coração
a parecer-se com uma almofada de alfinetes?
Sabes que morreria por ti?
Bolas, que poema, que treta, que és isto
Culpa tua… tinha que ser.
sábado, 1 de março de 2008
Já não tenho olhos para te chorar

Bolas, que raio de vida
Sabes, sinto-me incompleta
Sufocada, abafada nesta espécie de vida
Tal como ao vazio, resta-me o vazio insaciável desta vida…
O vazio desta inexorável forma de sofrer
Ninguém vê tempestades
Numa expressão implacável de serenidade.
Já nada me faz parar para te chorar
Limitei o meu luto à minha alma…
Como a noite que caiu relembro a tua imagem
A tua presença, a perfeição adónica do teu ser…
Relembro mais uma vez que perdi o comboio
Que te deixei ir sem desapertar o nó da minha alma
Já limitei as lágrimas apenas ao meu coração
Já não tenho mais olhos para te chorar…
Ainda assim o pranto não cedeu… não morreu…
Algum dia acabará por me matar…
Nem que me transforme apenas num corpo
Que inanimado espera o beijo do anjo da morte…
No dawn in my life

Where in this whole world is your light?
Is it hidden? Is it shy?
Is it playing hide and seek with me?
Cause I don’t seem to see it anymore…
Midnight sun of my life
Don’t let the evil moon dim your light
Where is your light when I seek it in the darkness
Where are all the stars that guided my life
I’m dazzled, or would fascinated be better
To describe what I feel for you?
The train of life didn’t stop you know?
Am I exaggerating when I say that you’re not ok?
And you’re leaving, turning my linen darker
Why can’t I just strike you out of it
Why can’t I just take you out of my head?
But the feelings keep brooding over me
keep leading me into madness
and I’m the one you’ve left behind…
and I’m not seeing dawn in my life…
Easier

If my mouth stopped this nightmare chain of foolishnesses
to say what’s really important? What could change us both?
Wouldn’t it be easier if these illogical words vanished from my head
These angry damn words that keep you away
These angry damn words that my mouth says and I don’t feel
to just let these beautiful disastrous words that break your heart and mine
with its miserable captiveness, with these golden chains
wouldn’t it be better to unleash them
and let its consequences go down on my head…
At least I would know if you love me, even if the train leaves anyway…
Arma de destruição

Flores de papel espalham-se nos meus jardins demoníacos
Arrumados a um canto os meus monstros ainda me perseguem
De fundo a musica de embalar
Relembra-me que os meus ouvidos ainda não esmoreceram
As minhas grades prendem-me,
As paredes sufocam-me
Sou assaltada por uma vaga de claustrofobia
Está tudo escuro, cinzento, parece noite no mais pleno dia.
Parece que tenho um nó na alma
Que tudo aquilo que à minha volta foi sendo construído
se desmorona como um castelo de areia
Que tudo é um erro, um grandessíssimo erro
Que me apodrece o ser…
Os meus olhos secos de lágrimas perdem-se
na vastidão dos meus escombros
Há dias escabrosos em que me sinto um verdadeiro ciclone
uma arma de destruição capaz de acabar tudo o que toca,
são momentos em que não sei se serei capaz
de simplesmente seguir os milhares de sonhos que tive e que fui,
em que me apetece simplesmente deixar de existir,
em que a minha chama se apaga
e eu não sou mais que um monte de cinzas saudosas
incapazes de cumprir a metamorfose…
Não tentem consertar-me

não é que não tenha nada partido
Eu toda sou uma confusa amalgama
de cacos descompensados
Eu toda sou os destroços da minha alma
Nunca nada nem ninguém me fez sentir assim
Vazia de significado e de ser
Nunca nada nem ninguém me fez sentir tão transparente
Tão inexistente, tão… nada
Nunca nada nem ninguém me fez sentir tão nauseada por existir
Tão fatidicamente cansada desta existência…
Sou um vazio dentro de um corpo vazio
numa pútrida vida sem conteúdo
A partir de hoje processei tudo o que disseste
Tudo o que me fizes-te sentir
E quero que saibas que a partir de hoje sou nada
Abandonei tudo o que fui e o teu caminho
A partir de hoje não valho mais que uma alma penada.
Quero saber se morro já

ou se deixo que o pedaços pútridos
da minha alma se desfaçam em cinzas
Se deixasse que a saudade e a distância e a dor
e a lembrança da porta que se fechou
Se deixasse que elas matassem…
…iminente estaria o aparecimento do anjo da morte.
Nem sei se me importaria
Não sei se sequer se vivo
se continuo a ter uma razão para viver…
A catatonia é uma resposta como qualquer outra
E eu sou livre de responder
quão incongruentemente quiser.
Esqueci meu nome e tudo o que fui
Se te foste, deixei de existir
Podem reduzir-me a nada
Já não importa…
Luz Profusa

Éramos tão novos
Tão inexperientes
Tão incapazes de saber o que sentíamos
Tão incapazes de o discernir
Arrependo-me tão somente de te ter negado
Nem eu própria sei como o fiz, ou o que fiz…
Se ao menos houvesse algo a fazer para te ter de volta
Se ao menos houvesse uma réstia de esperança para nós
Se ao menos o que eu sinto fosse capaz de atravessar
todas as distâncias, todas as dores, todos os adeus…
Para onde foste?
Sei que desiludi o mais profundo do teu ser
Sei que te neguei, que te destrui
Ainda assim não sou capaz de colar os fragmentos da minha alma
Na luz profusa onde escrevo lembro-te
como a única coisa certa que já me aconteceu
Embora esteja feita em farrapos
o remoer da minha vida resume-se a um único momento
A minha alma ainda guarda gravada a fogo
a lembrança dos teus profundos olhos tristes…
Ordinariamente

e ele teria partido neste exacto momento
Teria sido exageradamente ,
melodramaticamente partido
O que tu não sabes e que eu descobri
é que tenho a liberdade de te amar
Posso ter a coragem de te contar a verdade
Independente do incomodo que ela possa ser
Põe a pose de lado, é ridículo
dá vontade de pedir que me tirem deste filme
Estás num farrapo e não é por mim
Sinto-me ordinariamente estúpida
Ordinariamente farta disto
Extremamente enfadada
Sento-me protestantemente estranha,
por favor parem
isto parece um carrossel imparável
estou tão enjoada com este melodrama
que acho vou vomitar mais umas palavras vazias.
Bolas… chega, chega desta pútrida forma de ser
De estar… quem és tu afinal para me anular?!
Quem és tu afinal para me dar a volta desta maneira
Quem és tu…? isto se és alguém neste momento…
Ergue-te, não és nenhuma criança…
Já não és assim tão pequeno para fazer birras
Que náusea, que confusão
Porque tem tudo que ser tão complicado?
NÃO! Parem!
Não me venham com palavras vazias
e sem significado
que náusea, que náusea, que náusea
só queria desaparecer do mapa
fazer de conta que não existo
alguém tem uma borracha?
Páginas queimadas

Do livro da memória procuro esquecer
o que ainda reside do que sinto por ti
Procuro apagar todos os traços
do teu sorriso da minha cabeça
Procuro apagar os teus olhos quentes
Das páginas em cinzentas e em cinzas do meu livro…
Parabéns, conseguiste,
Conseguis-te fazer com que voltasse a olhar-te
Nunca pensei voltar atrás
Nunca pensei voltar a amar-te
Pensei que estava vacinada e imunizada de ti
Enganei-me…
Alguém pare este poema
Deprimentemente doce
doentiamente enamorado
Alguém pare este grito na minha garganta
que não te esquece…
Alguém pare este carrossel…
Erro anatómico

Se eu tivesse um coração
Se ele ainda existisse não o seria por muito tempo
Teria sido mutilado outra vez, por ti…
Não tivesse a minha humanidade abandonado o meu corpo
Quando tu abandonas-te a minha vida
E ele teria sido partido mais uma vez…
De que serve ter um coração
Que raio de erro anatómico
Um simples erro funcional que tolda todo o meu ser
Tolda-me a alma, para que serve uma alma?
Mais um erro, faz-me sentir cansada
Cansada de os ouvir em uníssono
De os ter a tentar comandar o meu leme
E o que sinto, e tudo mais que não sei de mim…
De que serve um coração se bate só por ti?
De que serve uma alma que se rasga aos bocadinhos
Com cada silencio teu, que suplicio…
De que serve ser Fénix se deixei de iluminar
Se definho num recanto, recôndito, afastado e perdido…
Esmagadoramente encantador

Fria como mil cristais cortantes
Toldando-me os sentidos
Já de si entorpecidos por ti
Corria à chuva como uma desvairada
que há muito perdeu o rumo…
Conhecia-te no entanto há pouco tempo…
Talvez demasiado pouco para teres já tal efeito
destruidoramente encantador em mim.
Lembrava-te como uma memória imperfeita
A água escorria-me pela cara
mas não levava a tua lembrança
Os teus olhos, os teus cabelos,
O som timbradamente suave da tua voz
O toque, a pele, o aroma, tu…
Corria porque precisava de resfriar-me,
De refrear a tua imagem gravada a fogo na minha alma
Precisava de um laivo de sensatez
Para reconstruir meu castelo de cinzas incandescentes
assentar de novo nessa realidade
alheada do poder fulminante do teu olhar…
Precisava de deixar de me sentir excessivamente frágil,
precisava de deixar de me sentir insegura
excessivamente tua para me reconstruir se te fosses
de deixar de fantasiar com sonhos impossíveis…
Deixei a minha luta interior correr a meu lado,
Tresloucada, procurava um raio de lucidez que me esbofeteasse
para não ceder a loucura…
Porque quebras-te as minhas amarras,
As minhas respostas imperfeitas
Pilares que levaram anos a construir
as minhas grades, a minha retórica…
És uma tortura para a constante inconstância do meu ser…
Deixei irracionalmente de conseguir ser racional
Deixei de ser capaz de fechar o meu coração numa caixa de sapatos
Que inadvertidamente queimas-te,
junto com todas as minhas muralhas…
Tiros no escuro
Preciso de um momento para sentir a tua faltaPara te ver virar-me as costas e desfazer-me o coração
Para poder rasgar em pedacinhos a minha alma
e ver que eles vão ficar assim
enquanto não voltares para os colar…
Preciso de um momento para saber que me fazes falta
Para te mostrar que sou imprescindível na tua vida
Para saber que és a melhor parte de mim
E que o que de melhor tenho em mim esmorece sem ti
Para sentir com anseio cada momento contigo
Para me sentir frágil ao ponto de sentir que morreria por ti
Ou sem ti, ou se partisses…
Para que cada ausência se mantenha um castigo
Para sentir que cada segundo longe de ti é um suplicio
Maior que o próprio sentimento de te perder
Preciso de um momento para te mostrar
o quão estranha eu sou
o quão estranha estou
o quão voláteis podem ser meus anseios
Para te mostrar o que nem eu sei explicar
um milhão de sentimentos embrulhados
difíceis de definir com simples palavras…
Não está certo, respeita o incerto da minha incerteza
É difícil dar tiros no escuro…
Marioneta

Parece que tudo a minha volta
acordou virado ao contrário
Ninguém faz ideia, alguém me pare!
Parece que as minhas ganas
de arma de destruição maciça
acordaram hoje mais activas, imparáveis
que nunca em qualquer momento estiveram…
Parece que hoje nada nem ninguém
para este comboio desvairado
Alguém me pare por favor a vontade de te encontrar
Parece que me estou a deixar levar por ti
Parem-me, parem este poema
Parem tudo!
Tu não és nem nunca serás o melhor para mim
Que vontade mais parva
Que falta de sentido de auto-preservação
Que falta de carácter e de amor-próprio,
Que raio de marioneta queres fazer de mim?
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Faltas-me

Aquelas com que me embalavas antes de partires
O refúgio dos meus dias
O meu antídoto contra a solidão…
Não sei se algum dia ultrapassarei esta separação
Talvez nem nunca seja capaz de refazer-me
Continuo a fazer da minha alma pequenos pedaços
Mas faltas-me tu para os colar
Meus lábios reclamam por teus beijos
Meus braços ainda não se habituaram
à falta que os teus me fazem…
Vejo o teu espectro onde quer que vá
continua a assolar-me a lembrança do teu aroma,
da tua voz sedosa de veludo,
da dolorosa luz que emanavas
de cada esquisso teu que guardo,
nesta amalgama de pedregulhos
de escombros, em que a minha vida se tornou…
Derradeiro

Deixei ir o meu último suspiro
Deixei que a vida largasse meu corpo
Esculpida em ti esperei
que o anjo da morte viesse
Que me levasse com o seu beijo derradeiro…
Olhava-te nos olhos, já não os via…
Uma turva luz ofuscava-me o olhar
prestes a levar-me a alma
dilacerava-me a tua dor
dilacerava-me, fazia-me sentir podre
humanamente fraca
por te fazer sofrer…
Não fui capaz de levar comigo um último vislumbre de ti
Da tua fácies dolorosamente bela
Desses teus olhos…
Como me dói ter-te deixado sozinho
dolorosamente sozinho e entregue a ti
a afundares-te com a dor que não fui capaz de trazer comigo
Como me dói não ser um anjo
para te envolver como as minhas asas
Não ter aproveitado a vida para te mostrar tudo o que eras para mim…
Marcadas a fogo

Continuo a perguntar-me como sobrevivo sem ti
Como continuam os dias a passar se não estas a meu lado
Como continuo eu aqui,
sentada frente a estas velhas notas,
A ser capaz de escrever sobre ti e o que sinto…
Por vezes as lágrimas assolam-me a face
Não consigo conte-las…
Mas magoam mais o coração e a alma
Que os olhos cansados
E eu não sou capaz de as esconder…
Queria atirar para a arca dos pesadelos
tudo o relembro de ti
Fazer de todas as memórias uma recordação baça
Fazer delas uma recordação incólume e incapaz de me magoar
Mas elas insistem em ficar marcadas a fogo
na minha pele e na minha memória
e em todos os meus sentidos…
Meu corpo e minhas mãos reclamam pelas tuas
E eu continuo a agir como um autómato em função de ti.
Devia fechar e bater todas as portas,
Mudar de mundo
Esquecer-te e esquecer o que significas
Esquecer que algum dia exististe
Mas não sou capaz…
Porque todos os punhais que mutilaram o meu coração
ainda lá estão, bem cravados,
Porque por mais que ele queira renascer a
esperança apenas foi capaz de ajudar a cravar
as laminas dos punhais mais fundo.
E ao olhar para o que escrevo
sei que nunca serei capaz de fazer justiça a ti
nem ao que sinto, nem ao que fomos…
Mas continuo a desperdiçar tempo e papel
e tinta e caneta e suor e lágrimas
para encontrar uma forma de ser eloquente
ao ponto de especificar como te amo
e que nunca deixei de te amar…
Mas esta folha, como tantas outras,
vai ter como destino o canto mais recôndito e escondido,
para que não saibas que não fui capaz de seguir em frente
e de aceitar que te perdi…
Dor

Porque prefiro senti-la a não sentir nada
a deixar alastrar o buraco no âmago soturno do meu peito.
Nada que se possa explicar pela raiva ou pelo ódio,
Dor,
tudo o que sobrou do vazio que deixas-te.
Como uma lua perdida
nas órbitas celestes de onde desapareces-te
Dor,
Apenas a intensa e incessante Dor de te perder…
