
A chuva caía copiosamente dos céus
Fria como mil cristais cortantes
Toldando-me os sentidos
Já de si entorpecidos por ti
Corria à chuva como uma desvairada
que há muito perdeu o rumo…
Conhecia-te no entanto há pouco tempo…
Talvez demasiado pouco para teres já tal efeito
destruidoramente encantador em mim.
Lembrava-te como uma memória imperfeita
A água escorria-me pela cara
mas não levava a tua lembrança
Os teus olhos, os teus cabelos,
O som timbradamente suave da tua voz
O toque, a pele, o aroma, tu…
Corria porque precisava de resfriar-me,
De refrear a tua imagem gravada a fogo na minha alma
Precisava de um laivo de sensatez
Para reconstruir meu castelo de cinzas incandescentes
assentar de novo nessa realidade
alheada do poder fulminante do teu olhar…
Precisava de deixar de me sentir excessivamente frágil,
precisava de deixar de me sentir insegura
excessivamente tua para me reconstruir se te fosses
de deixar de fantasiar com sonhos impossíveis…
Deixei a minha luta interior correr a meu lado,
Tresloucada, procurava um raio de lucidez que me esbofeteasse
para não ceder a loucura…
Porque quebras-te as minhas amarras,
As minhas respostas imperfeitas
Pilares que levaram anos a construir
as minhas grades, a minha retórica…
És uma tortura para a constante inconstância do meu ser…
Deixei irracionalmente de conseguir ser racional
Deixei de ser capaz de fechar o meu coração numa caixa de sapatos
Que inadvertidamente queimas-te,
junto com todas as minhas muralhas…
Fria como mil cristais cortantes
Toldando-me os sentidos
Já de si entorpecidos por ti
Corria à chuva como uma desvairada
que há muito perdeu o rumo…
Conhecia-te no entanto há pouco tempo…
Talvez demasiado pouco para teres já tal efeito
destruidoramente encantador em mim.
Lembrava-te como uma memória imperfeita
A água escorria-me pela cara
mas não levava a tua lembrança
Os teus olhos, os teus cabelos,
O som timbradamente suave da tua voz
O toque, a pele, o aroma, tu…
Corria porque precisava de resfriar-me,
De refrear a tua imagem gravada a fogo na minha alma
Precisava de um laivo de sensatez
Para reconstruir meu castelo de cinzas incandescentes
assentar de novo nessa realidade
alheada do poder fulminante do teu olhar…
Precisava de deixar de me sentir excessivamente frágil,
precisava de deixar de me sentir insegura
excessivamente tua para me reconstruir se te fosses
de deixar de fantasiar com sonhos impossíveis…
Deixei a minha luta interior correr a meu lado,
Tresloucada, procurava um raio de lucidez que me esbofeteasse
para não ceder a loucura…
Porque quebras-te as minhas amarras,
As minhas respostas imperfeitas
Pilares que levaram anos a construir
as minhas grades, a minha retórica…
És uma tortura para a constante inconstância do meu ser…
Deixei irracionalmente de conseguir ser racional
Deixei de ser capaz de fechar o meu coração numa caixa de sapatos
Que inadvertidamente queimas-te,
junto com todas as minhas muralhas…

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