terça-feira, 18 de março de 2008

Forro


Não é preciso chorar para perceber que não te esqueço
Posso ter um nó na alma mas sobrevivo
Sempre sobrevivi não foi?
Sempre tiver que me refazer a cada caminho que traças-te
Sempre tive que me refazer, mesmo quando te afastas-te
Sempre tive que sobreviver às tuas revolteantes mudanças de rumo…

Já não sei quantas vezes trepei o penhasco
Para voltar a cair no precipício
Já não sei quantas vezes prometi , a mim mesma,
que nunca mais provava o mesmo copo
mas continuo a ser tentada pelo copo da soturnidade…

Já nem sei dos meus olhos
Desde que pus o meu coração nas tuas mãos
Ele rola descontroladamente e é repisado pelos teus pés
Nem te dignaste a recolocá-lo na caixa de sapatos
Para eu poder voltar a fecha-lo…
Nem sei porque decide o sol continuar a brilhar
Se esta lua nova me assola e me abafa…
Ela e os novos ciclo que ela traz,
que me lembram que não te perdi apenas,
também eu e a minha alma e o meu coração
e todos os pedaços em que os partiste ao longo desta tortuosa viagem
se perderam irremediavelmente…
Desta vez os cacos vão mesmo continuar a forrar o chão.

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