terça-feira, 18 de março de 2008

Esculpidos um no outro


Esculpidos um no outro
Dançávamos ainda parados
Iluminados pela ténue e ínfima luz
com que incerteza da luz e das sombras ainda nos brindava
Os tons róseos e violeta tingiam-nos a face
tal como a alegria nos tingia a alma…
Horas de calma, de sublime assombro
eu era mais fragilmente tua
mais fragilmente
por me sentir suficientemente frágil
para saber que sucumbiria se te fosses…
Ou se tivesse que partir
E ainda assim o tempo era todo nosso.

Éramos um só corpo munidos de uma só alma
Tudo parecia perfeito, sublime, único…
Tudo parecia suficientemente perfeito para que durasse
Porque somos nós de mármore efémero se poderíamos ser granito
Eternos como o granito pode ser?

Mas a efemeridade tocou-nos
com a fugacidade de uns segundos…
Como me deixas-te partir?
Como deixo eu que a nossa lembrança me assombre?
Como deixo eu que me faças isto?
Não sou eu senhora de uma alma una, intacta e sublime?
Então porque piso eu os escombros da minha alma
Porque piso eu os estilhaços da minha existência
que baços e desfeitos forram o chão que pisas?
Porque me humilhas desta maneira
se já fui a única coisa a que davas valor?
Que fizes-te tu da perfeição da minha alma?

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