
Flores de papel espalham-se nos meus jardins demoníacos
Arrumados a um canto os meus monstros ainda me perseguem
De fundo a musica de embalar
Relembra-me que os meus ouvidos ainda não esmoreceram
As minhas grades prendem-me,
As paredes sufocam-me
Sou assaltada por uma vaga de claustrofobia
Está tudo escuro, cinzento, parece noite no mais pleno dia.
Parece que tenho um nó na alma
Que tudo aquilo que à minha volta foi sendo construído
se desmorona como um castelo de areia
Que tudo é um erro, um grandessíssimo erro
Que me apodrece o ser…
Os meus olhos secos de lágrimas perdem-se
na vastidão dos meus escombros
Há dias escabrosos em que me sinto um verdadeiro ciclone
uma arma de destruição capaz de acabar tudo o que toca,
são momentos em que não sei se serei capaz
de simplesmente seguir os milhares de sonhos que tive e que fui,
em que me apetece simplesmente deixar de existir,
em que a minha chama se apaga
e eu não sou mais que um monte de cinzas saudosas
incapazes de cumprir a metamorfose…

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