sexta-feira, 4 de abril de 2008

Gravidade


Sinto o peso da gravidade nos meus ombros
Pesa, abafa, sufoca
Faz-me sentir uma pequena gota de água
num imenso nevoeiro
Faz-me sentir demasiado presa, demasiado sufocada
Para sequer mexer um dedo para te parar
Tenho o grito sufocado na garganta

Lágrimas brotam como se do nascer de um ribeiro tratasse
Não consigo sequer articular palavra
Acho que perdi algures os meus pulmões…

Algo maior que eu morreu no meu peito
despedaçaste-me em mil pedaços
fizes-te de mim mil cacos de desgosto…

Pareço não ter qualquer significado para ti
Parece que és imune ao que fazes sofrer
Parece que a pedra que tu eras infiltrou o teu peito
Parece que tudo o que eu sou
e fomos não te influencia, não é em nada…
Sinto-me como algo descartável…
Algo que tocas-te mas não deixas tocar…
És algo cujo o toque jamais deixará de influenciar-me a alma…

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