sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Enfrentar a noite


A noite voltou e trouxe consigo
as lembranças de que as nossas mãos
vazias agora
já foram possuidoras da intemporalidade
de uma outra entidade
talvez maior e mais forte
maior e mais forte que qualquer um de nós algum dia sonhou ser…

A noite voltou e trouxe consigo
as lembranças de outras noites
de outros dias que pareciam eternos
Dias em que a felicidade parecia rebentar-nos no peito
parecia ser maior que nos próprios, algo de perfeito, imortal…

Dos tempos em que os corações batiam
com a pulsante alegria de ser imortalmente eternos
de cantarolar encurralados por algo brilhante
e de levarem a todos os poros que a pele podia suportar
o perfume sublime de uma enternecente e desajeitada paixão…

Em todas as recordações imperfeitas
que não fazem jus à intemporalidades do que fomos
nem à profunda beleza do teu ser
perco o meu tempo, excessivamente livre de sonhos e futuro
perco o meu tempo lembrando-te
preservando-te como a mais perfeita
das imperfeitas recordações que relembro
e sei no meu âmago soturno e profundo
que serás, para sempre, a mais belas das minhas recordações…

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