
Chega de subtilidade e esconderijos
Chega de falsidade
Chaga deste eterno faz de conta
Porque eu não existo
Porque já sou apenas um reflexo teu no espelho
Num espelho tão disforme como as águas turvas de um lago
Porque sou apenas algo que não sou
Sou apenas algo que ainda não deixou
de perseguir um ideal que não és
Sou e não sou
Porque o eu, o meu ser que conheces não existe
Só existe uma sombra disforme de ti
Que nem nisso é suficientemente boa
Para fazer justiça ao teu ser etéreo.
Sou um corpo que procura uma Alma
Uma essência de ser
Algo que não se resuma a ti
Aprendi a escrever, desenhar, a ser luz,
Viver uma vida que não é minha
E no fim de tudo nada disto é o que eu sou…
O anjo das trevas veste-se como se fosse luz
Olha o sol nos olhos e anseia pelas sombras
Procura uma escuridão que renegou por algo que não atinge.
Ajudas-me a devolver a mim própria a essência de um ser
De algo débil já deixou de existir há tanto tempo
que a sua lembrança não é mais de que um buraco vazio?

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